BRICS

A expansão do BRICS e o reordenamento do poder globalBRICS expansion and the reordering of global powerL'expansion des BRICS et la recomposition du pouvoir mondial

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Quando Brasil, Rússia, Índia e China deram nome a um acrônimo cunhado por um economista em 2001, poucos imaginavam que o grupo se tornaria um dos vetores mais comentados de uma possível reorganização da ordem internacional. Mais de duas décadas depois, com a adesão da África do Sul e, mais recentemente, de novos membros, o BRICS deixou de ser uma sigla de mercado para se tornar um projeto político — ainda que cheio de contradições internas.

De clube econômico a ambição geopolítica

O que começou como uma classificação de mercados emergentes ganhou musculatura institucional com a criação do Novo Banco de Desenvolvimento e de mecanismos de cooperação financeira. A lógica é clara: oferecer alternativas a instituições percebidas como dominadas pelo Ocidente, do FMI ao sistema de pagamentos baseado no dólar.

O poder real do BRICS não está no que ele já é, mas no que sinaliza: a vontade de uma parte significativa do mundo de não depender exclusivamente do Ocidente.

Essa sinalização tem peso. Para países do Sul Global, o bloco representa voz e margem de manobra — a possibilidade de diversificar parcerias sem romper com nenhum dos polos.

As contradições internas

Mas a coesão é limitada. Índia e China disputam fronteiras e influência na Ásia. Os regimes políticos variam de democracias a autocracias. E a ideia de uma moeda comum, frequentemente alardeada, esbarra em obstáculos econômicos formidáveis: não há, no horizonte próximo, uma alternativa real à liquidez e à confiança que sustentam o dólar.

O que muda — e o que é retórica

É prudente separar o sinal do ruído. A desdolarização total é, hoje, mais slogan do que política viável. Por outro lado, a multiplicação de acordos bilaterais em moedas locais e a construção de infraestrutura financeira paralela são tendências concretas que erodem, à margem, a centralidade ocidental.

O reordenamento do poder global não acontecerá por decreto de um bloco. Ele se dá na soma de muitas decisões — comerciais, energéticas, tecnológicas — tomadas por países que, cada vez mais, recusam a lógica de escolher um único lado.

When Brazil, Russia, India and China lent their initials to an acronym coined by an economist in 2001, few imagined the group would become one of the most talked-about vectors of a possible reorganization of the international order. More than two decades later, with South Africa's accession and, more recently, new members, BRICS has moved from a market label to a political project — albeit one full of internal contradictions.

From economic club to geopolitical ambition

What began as a classification of emerging markets gained institutional muscle with the New Development Bank and mechanisms for financial cooperation. The logic is clear: to offer alternatives to institutions seen as Western-dominated, from the IMF to the dollar-based payment system.

The real power of BRICS lies not in what it already is, but in what it signals: the will of a significant part of the world not to depend exclusively on the West.

That signal carries weight. For Global South countries, the bloc represents voice and room to maneuver — the possibility of diversifying partnerships without breaking with any pole.

The internal contradictions

Yet cohesion is limited. India and China dispute borders and influence in Asia. Political regimes range from democracies to autocracies. And the often-touted idea of a common currency runs into formidable economic obstacles: there is, in the near horizon, no real alternative to the liquidity and trust that underpin the dollar.

What changes — and what is rhetoric

It is wise to separate signal from noise. Full de-dollarization is, today, more slogan than viable policy. On the other hand, the multiplication of bilateral deals in local currencies and the building of parallel financial infrastructure are concrete trends that erode Western centrality at the margins.

The reordering of global power will not happen by a bloc's decree. It occurs in the sum of many decisions — commercial, energy-related, technological — taken by countries that increasingly refuse the logic of choosing a single side.

Lorsque le Brésil, la Russie, l'Inde et la Chine ont donné leurs initiales à un acronyme forgé par un économiste en 2001, peu imaginaient que le groupe deviendrait l'un des vecteurs les plus commentés d'une possible réorganisation de l'ordre international. Plus de deux décennies plus tard, avec l'adhésion de l'Afrique du Sud puis, plus récemment, de nouveaux membres, les BRICS sont passés d'un label de marché à un projet politique — quoique plein de contradictions internes.

Du club économique à l'ambition géopolitique

Ce qui a commencé comme une classification de marchés émergents a gagné en consistance institutionnelle avec la création de la Nouvelle Banque de développement et de mécanismes de coopération financière. La logique est claire : offrir des alternatives à des institutions perçues comme dominées par l'Occident, du FMI au système de paiements fondé sur le dollar.

Le véritable pouvoir des BRICS ne réside pas dans ce qu'ils sont déjà, mais dans ce qu'ils signalent : la volonté d'une part importante du monde de ne pas dépendre exclusivement de l'Occident.

Ce signal a du poids. Pour les pays du Sud global, le bloc représente une voix et une marge de manœuvre — la possibilité de diversifier les partenariats sans rompre avec aucun des pôles.

Les contradictions internes

Mais la cohésion est limitée. L'Inde et la Chine se disputent frontières et influence en Asie. Les régimes politiques vont de la démocratie à l'autocratie. Et l'idée d'une monnaie commune, souvent brandie, se heurte à des obstacles économiques considérables : il n'existe pas, à court terme, d'alternative réelle à la liquidité et à la confiance qui soutiennent le dollar.

Ce qui change — et ce qui relève de la rhétorique

Il est prudent de distinguer le signal du bruit. La dédollarisation totale est aujourd'hui davantage un slogan qu'une politique viable. En revanche, la multiplication des accords bilatéraux en monnaies locales et la construction d'une infrastructure financière parallèle sont des tendances concrètes qui érodent, à la marge, la centralité occidentale.

La recomposition du pouvoir mondial ne se fera pas par le décret d'un bloc. Elle se joue dans la somme de nombreuses décisions — commerciales, énergétiques, technologiques — prises par des pays qui, de plus en plus, refusent la logique du choix d'un seul camp.

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